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sábado, 21 de agosto de 2010

Leite de cabra,uma opção pra quem tem alergia a leite ou intolerância a lactose.

Particularidades do leite de cabra, componentes e nutrição
A substituição do leite de vaca pelo de cabra:

Estima-se que 3% a 8% das crianças do mundo com menos de 3 anos são alérgicas às proteínas do leite de vaca e igualmente para derivados lácteos.A reação alérgica é uma resposta imunológica do organismo frente a um determinado estímulo (neste caso a ingestão de certas proteínas presentes no leite de vaca). Tal estímulo desencadeia a liberação de histaminas (anticorpo-antígeno) produzindo os sintomas alérgicos como diarréia, otite, bronquite, erupções cutâneas e corrimento nasal, falta de ar, inchaço, podendo até mesmo chegar ao óbito por choque anafilático.A alergia é causada por uma predisposição genética e tende a acompanhar a pessoa por toda a vida. O leite de cabra tem sido um substituto satisfatório nos casos de crianças e adultos alérgicos às proteínas do leite de vaca, que são a caseína alfa-s1, lactoalbumina e beta globulina (estas últimas ditas proteínas do soro ou séricas). A caseína do leite de cabra tem uma estrutura diferente, ele possui mais caseína-ß, caseína alfa-s2 e pouca quantidade de caseína alfa-s1. Isto explica a boa tolerância ao leite de cabra pelas pessoas que são sensíveis ao leite de vaca, embora devamos ressaltar que dependo da pré-disponibilidade genética, o individuo também possa apresentar reações alérgicas ao consumo de leite de cabra.

Intolerância a lactose:
A lactose é o açúcar na natural do leite, classificado como dissacarídeo, formado por uma molécula de glicose e galactose, possuindo um poder adoçante inferior à sacarose (açúcar de cana), razão de sua percepção ser menor quando ingerimos o leite. Na indústria láctea a lactose provém energia para bactérias acido láticas (a qual denominamos de fermento lático ou cultivo lático).

Para ser absorvida pelo intestino, a lactose necessita ser quebrada em porções menores por meio da ação de uma enzima chamada lactase, nativa no intestino delgado e na superfície da mucosa intestinal. Quando há deficiência da lactase, mesmo que parcial, as quantidades de lactose ingeridas não são hidrolisadas (quebradas) e permanecem intactas no intestino delgado, atraindo água para a região e provocando dores e edemas. A lactose não absorvida passa então para o intestino grosso sendo, utilizada pelas bactérias (ocorrendo fermentação). Esse processo produz gás e atrai ainda mais água. O resultado é dor, edemas, flutuência e diarréia, além de comprometer a digestão e absorção de outros nutrientes.Cerca de 75% das pessoas no mundo, à medida que envelhecem, perdem a maior parte da sua capacidade de produzir lactase.
A má absorção de lactose é mais predominante nas populações nativas da Austrália, Oceania, leste e sudeste da Ásia, África Tropical e Américas
A intolerância à lactose é um problema prevalecente por toda a vida do indivíduo uma vez que não existe tratamento clínico para produção ou reposição da lactase.O tratamento deve ser preventivo limitado à intolerância do indivíduo especificamente e aos hábitos alimentares assim instituídos. Produtos lácteos fermentados ou queijos maturados (envelhecidos) podem possuir quantidades pequenas ou até nulas da lactose. Em qualquer que seja a raça caprina, há suficientemente lactose (não difere muito do teor do leite de vaca) para permitir que as bactérias láticas produzam ácido lático e outros compostos aromáticos provenientes de tal fermentação. O teor energético da lactose equivale a 4 Kcal por grama.

A gordura:

A gordura é um dos constituintes que conjuntamente com a proteína afetam diretamente a característica final de um derivado lácteo, como por exemplo o queijo, contribuindo para característica de sabor e aroma. No leite, está sob a forma de glóbulos, denominados de triacílglicerois cujo, o diâmetro pode variar consideravelmente em função do tipo de animal. No leite de vaca, por exemplo, os glóbulos apresentam um diâmetro de 1 e 10 µm e para leite de cabra inferior a 3 µm. Tal característica torna o leite de cabra mais digestível quando comparado ao leite de vaca, ressaltando que tal característica não afeta em nada o valor energético, ou seja, 1 grama de gordura de leite de cabra ou vaca possui 9 Kcal. A digestão e a absorção do leite de cabra é duas vezes mais rápida em comparação ao leite de vaca, por isso, é indicado para crianças e idosos desnutridos.Tecnicamente o leite de cabra apresenta grande dificuldade de desnate. Por apresentar tal particularidade podemos dizer que o leite de cabra é naturalmente um leite homogeneizado. Outro papel de grande relevância da gordura láctea em tecnologia queijeira é sua contribuição na consistência, textura e elasticidade da massa, portanto variações anormais no balanço gordura/ demais constituintes, afetam diretamente tais propriedades. É certo que variações no regime alimentar combinados com a particularidade genética de cada raça, provêem diferenças na composição de ácidos graxos que, por conseguinte, possuem um papel importante em termos de degradação natural ou induzida.

Ácidos graxos:
O leite de cabra possui um elevado teor de ácidos graxos de cadeia curta (caprílico, cáprico e capróico) que contribuem nas características acentuadas de odor e sabor em queijos maturados (principalmente queijos mofados). Em termos nutricionais estes ácidos são importantes na profilaxia de tratamento de má absorção alimentar e distúrbios intestinais. A brancura típica do leite de cabra, deve-se a ausência do pigmento caroteno que acentua a coloração amarelada em outros tipos de leites.

Proteína:
As proteínas do leite de cabra são constituídas de 71% de caseínas, 22% de proteínas do soro (proteínas solúveis), e 7% de nitrogênio não protéicos. Em comparação com o leite de vaca, o leite de cabra contém menos caseínas mais proteínas séricas e nitrogênio não protéico. A proteína de grande relevância para tecnologia de produtos lácteos (principalmente queijos e leites fermentados) é a caseína (denominada de proteína do leite), cuja função biológica é de nutrição (fonte de aminoácidos para o organismo). É subdividida em quatro frações principais que são: alfas (s1 e s2) caseínas, beta–caseína e kappa-caseína. Em contrapartida, em comparação com o leite de vaca, o leite de cabra contém menos caseína alfa-s1 (cabra 15% versus vaca 39%) e mais caseína-alfa s2 (cabra 21% versus vaca 10%) e mais caseína-beta (cabra 48% versus vaca 35%). As proteínas que permanecem em solução a pH de 4,6 (não preciptando) são denominadas de proteínas do soro lácteo, formadas por um grupo variado que incluem: alfa-lactoalbumina, beta-lactoglobulina, albumina do soro sanguíneo, imunoglobulinas e peptídeos de baixo peso molecular. Como outros tipos de leite, o leite de cabra é também uma das mais ricas fontes de proteína, constituídas de aminoácidos essenciais (que não são sintetizados pelo organismo e extremantes importantes na nutrição humana).
Cálcio:
Podemos citar que o cálcio presente no leite, associado a outros minerais como fosfato, citrato e magnésio é o grande responsável por seu equilíbrio. O leite é um alimento complexo que apresenta o maior conteúdo de cálcio em comparação com outros alimentos.


Um comentário:

  1. "...embora devamos ressaltar que dependo da pré-disponibilidade genética, o individuo também possa apresentar reações alérgicas ao consumo de leite de cabra."


    Isso deve ser muito bem frisado!

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